...fevereiro não é apenas o mês do meu aniversário, um evento muitíssimo importante, claro. Há, por exemplo, uma certa festinha que também tem lá o seu destaque e que comumente chamamos de "carnaval". Além disso, a segunda folhinha do calendário concentra o estranhíssimo fenômeno do "estica-e-puxa" que o acomete nos anos bissextos (falando nisso, esse ano é um deles), sem contar que é o único dos meses em que a gente não pode usar aquela velha técnica de contar nos dedinhos pra saber se tem 30 ou 31 dias. Ou seja, fevereiro é o mês do "entre", do "quase": é quase o início do ano, mas fica entre janeiro (o mês das eternas promessas...) e de fato o começo "dos trabalhos" em março (pelo menos aqui no Brasil né); é quase um mês de festa, mas fica entre o Natal e a Páscoa, 2 datas religiosas (?) - ou seja, uma espécie de "compensação" momesca...; é quase um mês de capricórnio (um signo que tem lá suas características interessantes...), mas fica entre aquário e peixes (uma combinação que, por experiência própria, é catastrófica - apesar da aparente combinação de habitats). Enfim, eu poderia ficar aqui listando diversas combinações de coisas que fazem desses 28 (ou melhor, 29...) dias do ano um período um tanto quanto esdrúxulo pra começar o que quer que seja. Certo? não, errado! Por mais neurótico que eu seja, será que vale a pena mesmo me ater a esse tipo de superstição - que, a bem da verdade, nem chega a ser uma "superstição" de fato (afinal de contas eu não sou adepto de trevo de 4 folhas, pé de coelho ou qualquer outra coisa do gênero) - e atrasar a minha vida em uns 25 dias só pra depois não ter a desculpa de dizer "tá vendo, eu sabia mesmo que não ia dar em nada, não esperei o momento certo" quando - e se - algo não saísse como o planejado? Outra coisa que me veio agora à cabeça: por que diabos será que todo dito amuleto da "sorte" é ecológica ou politicamente incorreto (ou ambos???) - ponto a se ponderar... Mas voltando ao assunto: talvez seja melhor abandonar esse trauma de aquariano (ô fevereiro...) de planejar e arquitetar tudo e viver um pouco mais ao sabor da maré. Tudo bem, eu tenho um certo medinho de mar, mas é pra isso que existem os nossos salva-vidas né. Às vezes é preciso mesmo arriscar, e cada vez mais eu percebo a importância e a necessidade disso. Nada de deixar pra amanhã o que você pode fazer hoje, me lembra a vovozinha. A surpresa, o imprevisto, o impulso podem sim nos trazer ótimos resultados. Uma vez vi algo do Jorge Vercilo (que se não me engano era um extra do dvd do seu show - que por sinal é ótimo...) em que fazia uma analogia interessante com o futebol (aliás um esporte que eu não suporto mas que inexplicavelmente é paixão nacional), dizendo mais ou menos o seguinte: quando tô jogando uma partida de futebol e recebo uma bola nos pés tendo tempo suficiente pra pensar no que fazer, invarialvelmente acabo errando o chute; já quando a bola vem e num lampejo eu simplesmente a chuto por instinto, as chances de fazer um gol são bem maiores. Incrivelmente foi a lição que eu tirei disso... muitas vezes não nos basta ser racionais e controlados pra conquistar aquilo (ou aquele, ou aquela, vai saber...) que desejamos, e sim dar ouvidos ao nosso muito renegado 6º sentido - que pra mim não é mais apenas nome de filme chato ou "coisa de mulher". É "coisa" de todos nós, e com o que deveríamos aprender a lidar o mais cedo possível. Já perdi muitas coisas e pessoas na minha vida por um excesso de cuidado, por um transbordamento de esquemas, por uma overdose de esboços. Chega!!! Que tal ser mais espontâneo e encarar os dias de maneira mais natural? Bom, eu mesmo já tirei o calendário da geladeira, pois já aprendi a contar e a saber de cor em que mês, ano, milênio e lua estamos. Todos nós sabemos, faz parte da nossa cultura (infelizmente...). Mas não é por isso que vou deixar de ser feliz. E também não é por isso que vou perder a esperança de começar de novo sim, sempre, mesmo achando estranho esse início acontecer em pleno carnaval. Ai, tempo tempo tempo tempo, se não for o da música de Caetano, vê se me deixa um pouco. Em paz...
- música do post: "aquele abraço", Gilberto Gil