11.1.08

distração d infância

...adoro os baianos, a Bahia e o sotaque deles. Acho lindo lindo lindo mesmo. E foi uma baiana muito querida e sempre gentil comigo que me mandou essa corrente. Funciona assim: deve-se selecionar apenas 5 dos seus desenhos favoritos de quando era criança (vocês ainda se lembram dessa época? eu quase sempre a deixo de lado...) e colocá-los no blog por ordem de preferência. Muito obrigado, Jaya querida, por me fazer lembrar de um período tão gostoso da minha vida - e que anda tão sufocada ultimamente... Foi ótimo poder lembrar daqueles momentos em que o maior obstáculo era, às vezes, ter de acertar a sintonia da tv...


5º lugar: ...os cavaleiros do zodíaco, que talvez seja o desenho mais emblemático da minha infância. Não perdia um episódio sequer (mesmo doente fazia questão de assistir...). Sabia o nome de todos os cavaleiros de bronze, ouro, aço e prata de cor, pesquisava
tudo o que podia sobre o desenho, a mitologia grega e as constelações, tinha os bonequinhos todos - e com um ciúme que só vendo... nem a minha mãe podia encostar neles - e cansei de "brigar" com meu irmão (ele era o seya; eu, o hyoga...). A minha saga preferida era a de Poseidon. Hoje em dia não me lembro de quase nada...

4º lugar: ...speed racer, já que, quando pequeno, tinha uma paixão incondicional por carros. Culpa do meu tio e do meu avô, que me criaram assistindo às transmissões de F1 e também me ensinando tudo o que podiam sobre os bólidos. O desenho quem me "apresentou" foi meu tio mesmo, o preferido de sua infância - e, após pouquíssimo tempo, um dos meus preferidos também. Apesar de antiiiiigo já na minha época de "pequerrucho", achava incrível o mach 5 e tudo o que ele podia fazer. O filme, baseado no desenho, estréia em junho de 2008 aqui no Brasil...

3º lugar: ...a corrida maluca, pois era outro desenho de corrida, e pelo qual me apaixonei depois que o speed deixou de ser transmitido. Impossível não adorar as trapalhadas do dick vigarista e muttley, que depois ganharam desenhos separados e sem sal. Enfim, o final era o melhor, nunca dava pra saber quem ia ganhar... falando nisso, me surgiu uma dúvida: o dick alguma vez ganhou alguma???...

2º lugar: ...bob esponja, que não é definitivamente da época da minha infância, claro, mas que me seduziu novamente ao mundo dos desenhos animados e me fez sentir de novo como uma criança, sentado em frente ao nickelodeon e tendo crises intermináveis de riso. Além disso, é um dos pouquíssimos desenhos realmente legais feitos nos últimos tempos, que têm sido dominados por narutos, charutos e outras bobagens do gênero...

1º lugar: ...Tom & Jerry, o melhor de todos, sem dúvida!!! Até hoje, quando raramente me deparo com as confusões daquele gato azul e daquele rato café-com-leite, sinto a nostalgia de tempos idos em que equilibrava o copo com guaraná entre os joelhos e me divertia horrores com aquele humor simples, ingênuo e mesmo sem palavras... 3D, high definition, animação digital??? Não, nada disso... Tom & Jerry é melhor do que todos
os outros desenhos sem precisar de modernice alguma e, como já disse, sem falar nada, mas dizendo muito...

- música do post: "superfantástico", A turma do balão mágico

10.1.08

por 1 triz

...não, eu não abandonei o blog. É que essa semana foi - e está sendo - tão, mas tão difícil pra mim que... que não tive ânimo nem coragem pra escrever. Aliás, pra fazer qualquer coisa que fosse. Recebi a pior notícia do mundo. Meu coração, minha alma, meu corpo inteiro está em frangalhos, e justamente num mês (e num ano...) em que achei que as coisas afinal mudariam de vez pra mim. De fato mudaram - só que pra pior, bem pior, ruim até não poder mais. O que você faria se soubesse que a sua vida está por um triz? O que faria se, de uma hora pra outra (pra ser mais exato, 24 horas), tudo mudasse pra você, te obrigando a encarar tudo de maneira diferente, como se fosse pela última vez? Como você reagiria se se desse conta de que até as coisas mais banais, mais comuns do cotidiano, agora são risco pra sua saúde, pra sua vida? e que isso é pra sempre. Ou melhor, pra sempre não, mas até o dia em que morrer... Tudo bem, ninguém aqui é ingênuo, todo mundo vai mesmo morrer um dia ou outro. Porém, ao saber que esse "fim" está logo ali, ao dobrar a esquina, prestes a dar de cara com você, a coisa toda se torna muito mais apavorante. Eu tô apavorado. Reli o último post que coloquei aqui. Antes de tudo acontecer. Ainda não acredito como tudo pode ter mudado assim tão de repente, tão sem avisos, alarmes, sinais. Há um mal por dentro de mim que, mesmo quando eu ainda tinha esperanças, desejos e objetivos, já me corroía. Descobri que eu mesmo sou meu veneno - o que fazer, então, quanto a isso? Não dá pra mudar, não dá pra correr... me lembrei daquele troço idiota que todo mundo diz, incrustado como sujeira grossa no nosso inconsciente coletivo: "se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come". A diferença é que mesmo o óbvio no meu caso tanto faz - o bicho está dentro de mim, o bicho sou eu mesmo. Sim, tive vontade de acabar com tudo, isso já me passou pela cabeça. Mas há uma nesga, um rastro ínfimo e louco de teimosia que não me deixa fazer isso, que me grita pra lutar mesmo contra todos os prognósticos (e diagnósticos também) nada favoráveis, que me diz pra aproveitar a vida a cada dia em seu máximo, como se cada um dos segundos que passam fosse na verdade o último. Enquanto essa força - menos e menos forte, reconheço - resistir dentro de mim, lutando contra o monstro que me consome, juro que lutarei. Pelo menos não espero nada de pior nesse ano - ou nessa vida, eu que agora me forço a acreditar que aqui ainda não é o fim, e que nem tudo está perdido. Até quando agüentarei? Não faço a mínima idéia. Amanhã, daqui a uma semana, duas, um mês, alguns outros - hoje mesmo. Não sei. E a maior ironia disso tudo é que sempre tive medo de envelhecer, sempre disse que queria morrer jovem. Pronto, está feito. Alguma fada cruel ou um duende maluco deve ter escutado o meu "desejo" e o realizou. Ao acordar do meu último pesadelo, nunca poderia imaginar que a realidade seria ainda pior e mais sombria. Agora já não durmo mais. Vivo com dor, agonia e desespero. O ano mal começou e a minha vida... mas a minha vida já terminou...

- música do post: "stormy weather", Etta James

6.1.08

a 1 outra voz

...cedo a minha palavra hoje a outras palavras, de outras vozes, que se misturam à polifonia que ouço nesse despontar do ano que se inicia vagoroso, pesadão, ainda meio de ressaca do último 31. O champanhe já acabou, mas a mensagem fica:

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.

Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que Deus estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.

Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.

Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.

Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.

Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.

Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.

Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.

A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas.

Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um Deus
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.

Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.

Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.

Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar.

...esse texto é uma livre adaptação de Maria Bethânia do poema de Alberto Caeiro, um dos "outros" de Fernando Pessoa. Está no seu show Maricotinha, em que é belissimamente recitado pela voz ao mesmo tempo grave e suave, feérica e sensual, misteriosa e clara, dessa minha baiana das baianas, divino timbre que me ilumina. Optei por essa versão (e não pelo texto original) primeiro pelo tamanho, e segundo por achar que o poema pessoano é ácido, corrosivo e rascante demais para a ocasião. Eu que hoje tô me sentindo molinho, levinho e sensível como uma pluma ao sabor dos ventos... Sinal dos tempos? dos novos tempos, quem sabe. Brinca hoje com meus sonhos, Menino Jesus...

- música do post: "dona do dom", Maria Bethânia

4.1.08

eu vejo o futuro repetir o passado...

...tinha pensado em escrever sobre outra coisa hoje. Não, nem vale a pena dizer o que era... Mas aí comecei a reler os posts que já pus aqui e notei algo espantoso: 99,9% deles são hiper pessimistas, desolados, depressivos, melancólicos, etc e tal (e, considerando-se ser esse o 10º post, vejam a que conclusão bombástica cheguei). Não, também não quero dizer com isso que vou me suicidar ou qualquer outra coisa melodramática do gênero. Deixo essas soluções e peripécias escandalosas para as vilãs das novelas mexicanas que passam à tarde no SBT - as quais invariavelmente acompanho por uma simples falta do que fazer (e também pra rir um tanto né...). Bom, sei que tô sendo prolixo, mas a coisa toda é que não sei bem o que fazer. Parece que todo dia é o mesmo dia, e que até o que eu escrevo é idêntico ao que escrevi no dia anterior. Talvez isso seja mesmo verdade... porém não quero mais! Como sou péssimo pra me organizar por listas, pedi a um amigo meu que fizesse isso por mim. Eis o resultado: três semanas cheias de compromissos, de lugares a ir, de pessoas a visitar, de boates, festas e diversão. Tudo bem que o "cheias" foi mais um recurso hiperbólico do que reflexo da realidade. Não me importa. Li um comentário ("um" não, "o", pois é o único, por sinal...) do meu post anterior em que disseram algo como ser bom não assistirmos ao final dos filmes, e que o melhor é imaginar um nós mesmos, assim como para as nossas vidas. Nunca parei pra pensar nisso, mas não é que concordo? é, é verdade. Talvez eu esteja tão atado a uma realidade absurda - e à qual eu próprio me acorrentei - que esqueci de inventar um pouco, de sonhar, de apenas imaginar. E digo "apenas" não por ser algo menor, e sim por ser mais simples, mais light, diet, leve... Entupi os meus dias com o colesterol do tédio justamente porque (voluntariamente?) me esqueci de que por mais que nos cobrem (e às vezes nós muito mais que os outros...), é possível dar um tempo, dar uma ou duas boas gargalhadas por dia, pegar um cineminha - mesmo sozinho, não faz mal -, andar sem rumo por Botafogo, pela orla ou até pelo centro da cidade, olhando o mundo, observando a vida que pulsa fora de mim - de nós mesmos. Não me custa nada, não NOS custa nada. A não ser talvez um pouquinhozinho de força de vontade (e também um tiquinho de coragem). Pra quê? pra dar a cara a tapas, pra parar de resmungar por algum tempo (porque até isso às vezes é importante), choramingar à toa e não reclamar de um futuro que repisa, repete e regurgita o passado. Quem sabe há mesmo um pote de ouro no final do arco-íris... Eu quero acreditar nisso. Você não?...

- música do post: "somewhere over the rainbow/what a wonderful world", Norah Jones

3.1.08

trechos, fragmentos e afins

...percebi de repente. Na verdade ontem (ou hoje, melhor dizendo) de madrugada, em meio ao meu inferno astral de insônias repetidas e repetitivas: há milênios não assisto a um filme por completo. Sempre que saio da internet tomo um banho e me deito, e sempre há algum filme numa dessas sessões notívagas feitas sob medida pra indivíduos iguais a mim. Não sei se estava mais desperto ontem-hoje ou se apenas foi o meu corpo, exaurido pela rotina insípida, que extenuado fez soar o alerta. Acordado pela vermelha sirene que passou a soar no por-dentro de mim, reparei que eu mesmo tinha razão a meu respeito: tenho passado a minha vida assim, simplesmente como um espectador insone de madrugadas frias e que pega somente trechos, um fragmento ou outro, do colorido fantasmagórico da tv de filmes antigos, a rebarba do lixo cultural que importamos/adoramos (muitas vezes - e não me excluo do time, sem nos darmos conta). E é engraçado isso, ao passo que também deprimente, pois nunca chegaria à tal conclusão se não estivesse eu, em plena madrugada, assistindo a mais um filme qualquer (se não me engano era "Duro de matar" - o primeiro!!! - lembram-se?) com os cabelos molhados umedecendo a fronha. Me dei conta de que ultimamente tenho deixado arestas pelo caminho, rastros do que podia fazer e não fiz, restos de inícios bons mas que nos quais não investi, trajetos que comecei e não concluí. Enfim, acabo sempre dormindo no ponto - e perdendo o final do filme. E por quê? talvez porque intimamente, lá no fundo do meu serzinho, eu tenha medo... e de quê? ora, sei lá... assumir as responsabilidades. Não dos meus atos, pois que sempre sou o primeiro a me acusar, e sim da minha própria vida. Assumir as responsabilidades dessa recém-adquirida "adultidade" que me chegou assim tão de supetão e rascante; tomar as rédeas do que vou fazer (aliás, do que de fato preciso fazer) pra que num futuro próximo eu não me sinta como um completo inútil que se apropria do controle remoto alheio. Tudo bem, a aproximação foi esdrúxula e ridícula, porém como minha maior companheira das madrus tem sido a tv... Não que seja só isso: navegando ontem por aí, encontrei outras pessoas e seus blogs. Pessoas inteligentes e blogs realmente super interessantes. Foi muito bom saber que não tô sozinho nessa mania esquisita de ficar diante da tela do computador revelando verdades (?) sobre nós mesmos. Eu que já tava me achando louco... Idéia de última hora: quem sabe não seja melhor tirar logo as pilhas do controle remoto, desconectar a tomada da tv e arranjar companhias menos virtuais, ou seja, algo como novos amigos?... É, parece uma boa idéia. Pelo menos na teoria e afins...

- música do post: "ideologia", Cazuza

2.1.08

tlz, quem sab 1 dia, pod ser...

...sei lá, hoje acordei com um bom humor que não me é habitual. Dei bom dia a todos, respirei o ar da manhã e até mesmo arrisquei um sorriso. Esperança? Não sei (mas não dizem que ela é a última que morre?). Pois então....... Enfim, algo besta me cochichava ao pé do ouvido direito que alguma coisa boa aconteceria pra mim hoje - e olha que nem tinha lido o horóscopo do dia (é, eu leio o horóscopo...). Odeio mistérios, até porque sou curioso demais e sei como isso pode ser irritantemente chato e pavoroso. Bom, nem adianta continuar enrolando: a tarde tá passando sem novidade alguma. Minha vidinha é a mesma de sempre - até as surpresas parecem se repetir: encontrei um cd que não ouvia há muito tempo jogado no final de uma prateleira; assisti a um documentário que nem lembrava mais existir na fita de vídeo e voltei a ler um dos meus livros favoritos. Pois é, não encontrei o grande amor da minha existência nesse planeta e com quem passarei o restante dos meus dias, não ganhei na megasena acumulada, não encontrei nenhum velho amigo que não via há séculos, não comi nenhuma fatia de abacaxi maduro gelado (coisa que adoro!!!)... Ou seja, nada de especial me aconteceu hoje. Até agora, penso eu, e me estranho por isso. Estou gostando dessa sensação de esperar por algo que pode ser que nem venha, que talvez nem exista. Maluquice? O amor é só uma ilusão - que a gente mesmo inventa... Doce, é verdade, mas apenas ilusão. Por que falo disso agora? Porque acho que, aos poucos, tenho começado a aprender a ficar sozinho, a viver comigo mesmo. Não que queira isso "pra sempre". Não, não é nada disso. Ainda penso em encontrar - ou achar, vai que já é meu e não sei... - the one, the one and only, essas coisas... Só não me preocupo mais tanto com isso. E se essa esperança que eu sinto hoje não for exatamente uma "esperança", e sim um broto, uma pequena semente do que chamamos amadurecimento? Talvez. Quem sabe um dia isso seja verdade... Pode ser que eu cada vez mais esteja me aproximando de mim mesmo. Pra quê? Não sei. Espero descobrir antes que essa semente não vingue, que o clima de repente mude e lance sobre mim suas tormentas. O caminho está aí pra ser trilhado...

- música do post: "what are you doing the rest of your life?", Barbra Streisand

1.1.08

dpois do champanhe, o q +?

...leda ilusão, era algo que alguém próximo a mim costumava dizer sempre que algo não saía como o previsto. Besteira a minha pensar que o último dia do ano passado traria algo de "novo" pra mim (não, não tô tentando fazer nenhum trocadilho infame...), é que apenas não arranjei nada de bom, de positivo, de esperançoso, que seja, pra escrever nesse primeiro dia de 2008 que já se vai indo - e sem deixar saudade alguma...Tudo ocorreu exatamente invertido; parece que o mundo - ou pelo menos aquele em que eu estava... - resolveu ficar de pernas pro ar só pra me deixar furioso. Mal consegui chegar à praia, de tão lotado estava o metrô e, chegando lá, perdi o contato com todos os que haviam combinado passar a virada comigo. Sozinho (mais uma vez), pensei em adentrar o novo ano assim como terminava o outro. Mas eis que me surpreendo. Ou melhor, esbarro mesmo: (n)ele. Há quanto tempo não o via; na verdade, desde que havíamos terminado não tinha notícias nem de seu paradeiro. Coincidências à parte, ele estava passando pelo mesmo problema que eu - os dois abandonados e mal pagos em plena noite do dia 31, numa Copacabana repleta de calor e almas perdidas. Revivemos antigas lembranças, noites outras naquelas mesmas areias, falamos de nossas vidas, de como estamos (ou não...) nos arranjando por aí afora e rimos pela incrível armação do destino em cruzar novamente os nossos caminhos. Devia ser por alguma razão. Bom, se foi somente pra rompermos esse dia 1º tudo bem, foi ótimo... Tomamos banho de champanhe alheia, bebemos a nossa (cada um trocando a própria garrafa com o outro, ao que dividíamos os mesmos gargalos) e, quem diria!, com direito a beijo justamente à meia-noite e juras de um encontro próximo. Talvez tenha sido um recomeço para ambos, quem sabe uma nova chance, uma outra zero hora... Porém a animação vai se esvaindo. O dia continua, é noite outra vez e o telefone não toca. Tô acostumado, tá tudo bem, nunca esperei que se cumprissem essas tais promessas de fim de ano, eu que nunca acreditei nisso mesmo. O tal caminho talvez fosse apenas um atalho. Olhando pras mesmas estrelas de ontem, hoje e sempre, pergunto-me: depois daquele champanhe, o que mais? O gosto permanece...

- música do post: "chega de saudade", João e Bebel Gilberto