“...então, é assim que funciona. Sem mais nem menos”.
Falava. Enquanto isso um cheiro absurdo de fumaça de cigarro. Odeio cigarro. Sua fumaça também. Impregnada em minhas roupas – em todas elas – sou obrigada a me sentir fedida por aquele veneno de que ele tanto gosta. Usa um perfume forte; de que adianta? Já lhe disse isso também – mas de que adianta?
“...é a vida... C’est la vie, como dizem os franceses. Se bem que eu acho que nenhum francês diz isso. Besteira... É só pra mostrarem como deixam que a gente se apodere de um pedacinho de nada da língua deles, um pedacinho tão pedacinho que eles nem usam...”
Não sei por que eu continuava insistindo nisso. Só de relance eu podia ter previsto. Besteira a minha de achar que dessa vez seria diferente, que haveria volta. Volta, entretanto, pressupõe um algo de antes, melhor. Melhor, não. Não necessariamente. Mas não isso. Isso de agora. Isso de agora eu não suporto.
“...dizem que não tem mais jeito, né. Putz, quando soube disso lembrei de ti. Na mesma hora. Fiquei me perguntando: que que será que ela tá pensando disso?”
Se me dignasse a responder, diria que: nada, não pensei e não tô pensando em nada. Somente em sair daqui e nunca mais voltar. Não pra antes, pr’aquele algo. Nem precisa de tanto. Contanto que não seja aqui, com ele. Ele que já foi de tudo um pouco pra mim. No momento não mais do que um corpo estranho, falante e irritante.
“...mas assim, por que é que tu não te despregas dessa janela desde que chegaste? Anda, vem tomar um trago comigo. Não precisa nem fumar, sei que tu não és muito chegada na erva. Mas pelo menos olha pra mim...”
Continuei na mesma posição, observando o descolorido dos outros prédios ao redor. Num deles uma mulher trocando de roupa, lentamente, a preparar-se para um encontro. Amante? Com certeza. Eu ficaria com o vermelho, se fosse ela, mas... Noutro havia um homem se masturbando em plena tarde de quinta-feira, sentado em uma banqueta de madeira com uma revista na mão. Visão aguçada: era de homem. Homens. Pelados. Transando. Quem diria, um cara com uma cara tão de macho... Mais adiante, uma família almoçando, quieta, concentrada: o pai numa cabeceira, a mãe na outra, os filhos no centro. O menino tinha uns olhos tristes vidrados no copo com suco. Parecia um pouco comigo.
“...ei, o que ‘tás vendo de tão bacana aí pra nem me ouvir?”
Levantou-se e veio até mim. Escutei o barulho do copo com uísque até a borda batendo contra o tampo da mesinha que eu lhe dera num aniversário distante. O cheiro do cigarro mais perto. A fumaça lentamente impregnando-se ainda mais fundo em minha roupa. O cheiro dele mesmo, tão característico, agora talvez a pouquíssimos centímetros de minhas costas. Estremeci de repente em um calafrio, como se dois corpos de mesma polaridade se aproximassem. Forças de repulsão agiam loucas, mas de nada adiantaram: seu braço esquerdo pousou em meu ombro.
“...ah, já ‘tá anoitecendo. Daqui a pouquinho o sol se põe. Por isso tu ‘tás aqui. Me lembro que tu sempre insistias em ver o pôr-do-sol... Antes”.
Antes. E um leve incômodo se instaurou no ambiente, tão fino como a penumbra de fumaça que perene embaçava o apartamento. A mão no ombro escorregou com braço e tudo até a cintura. Estremeci ainda mais forte. Calafrio. Forças de repulsão agiam loucas. Cargas se repelindo e por isso se unindo. Sempre achei que fosse balela, mas naquele momento de anoitecer, de sol indo-se embora, com a luz em lusco-fusco acontecia de modo a não parecer tão canhestro, apesar da mão ser a esquerda.
“...tu entendes um monte dessa parada de estrelas, né? Eu gostava de ouvir. Mas não vou pedir pra ti... não precisas...”
...eu sei, me deu vontade de completar. Permaneci parada em frente à janela com aquela mão na minha cintura, arrepios contidos e na nuca um bafo agridoce de bebida com fumaça que se colava também à minha pele. Senti-me impura, incongruente, traidora de mim mesma. Prometi-me que não mais aconteceria. Mas prometer algo a si mesmo é estar fadado à traição. De certo modo eu já sabia disso. E talvez por esse motivo é que não deixava de ir, todas as quintas-feiras, quando me ligava, dizendo:
“...pô, vem, não tô fazendo nada, nem você. Deixa o trabalho pra depois e vem pra cá, pra tomar uns tragos, fumar uma erva. Se não quiser pode vir só pra me fazer companhia, como sempre. Não farei nada, como sempre. Como queira. Não quero mais te magoar...”
Coisa de filme. Parecia decorado. Devia até ser, pois foi a única maneira de me convencer a voltar lá, depois de tudo o que já acontecera entre nós. Entre nós dois já acontecera de tudo, tudo quanto seja possível imaginar. Quando duas pessoas chegam a seus limites, quando não há mais o que surpreenda um ao outro, então o que resta é esse estranho lugar-comum de arrepios em um anoitecer de quinta-feira: uma fala forçada e qualquer que bastava pra que nós dois cumpríssemos o nosso papel.
“...uma estrela cadente... Ali, olha! Faça um pedido. De olhos fechados, hein... Isso...”
Pedi. Com fervor de uma vela acesa. Não havia nuvens no céu estrelado. A lua também não havia, escondida por detrás do homem limpando-se depois do orgasmo; a mulher já saíra em seu conjunto de vestido e sapatos azul-turquesa (eu ficaria com o vermelho... amante... dá sorte...); a família acabara de comer: a cabeceira vazia, e mais um lugar vago. Apenas o menino sentado com os olhos vidrados onde antes estivera um copo com suco. Antes. Sempre antes. Do sussurro, escutei apenas o trecho final:
“...me perdoa...”
Parecia comigo. Disse:
- Te perdôo.
E foi o que desejei à estrela. Antes. Sempre antes...
- música do post: "coisas que eu sei", Danni Carlos
16.2.08
14.2.08
kblos brancos
...sim, eu estive afastado por uns dias. Na verdade eu nem tive tempo de pensar ou de escrever qualquer coisa que não estivesse relacionada com... Bom, com o que eu tive de resolver meio que na marra. Cabeça confusa, um turbilhão de sentimentos diversos e, pra terminar, pressão por todos os lados. Cheguei a naufragar, mas por sorte (ou necessidade, não sei bem...) havia um bote salva-vidas à minha espera, ao meu alcance. E esse bote leva o nome de maturidade. Descobri nos últimos dias que "maturidade", essa palavra tão imponente, não é mesmo apenas sinal de que estamos ficando mais velhos, e muito menos é um indício seu o surgimento de cabelos brancos - um fio pequenininho aqui, outro menorzinho ali e assim por diante. A tal maturidade muitas vezes aparece justamente nesses momentos de desespero, quando tudo parece estar perdido. Claro que também não é assim do nada. Tem de se estar preparado pra reconhecê-la e, mais que isso, para bem aproveitá-la. Por isso agradeço - e bastante - as porradas que andei levando nos últimos 2 anos em diversos setores da minha vida, pois foram essas marcas roxas em mim que me prepararam pro que tive de lidar. Novos fatos, surpresas desagradáveis, descobertas insólitas, acho que aconteceu de tudo. Mas numa conversa longa, franca, honesta, sincera - e madura, claro - tudo isso também se resolveu. Por enquanto. Obviamente, pois, clichê ou não, ninguém pode saber o dia de amanhã (aliás, nem o próximo segundo. Um bomba atômica esquecida pode explodir de repente lá nos cafundós da Chechênia e matar todos nós...). Enfim, como eu disse já há alguns posts, tenho de realmente aprender a não tentar planejar detalhamente as coisas. A decepção é sempre maior. A pressão é sempre absurda, o que faz com que todos esses esquemas escorram ralo abaixo. Sendo assim, apesar de tá ainda todo machucado (e novos ferimentos foram feitos, já que a gente sabe que as palavras ferem demais...), aprendi que isso é o jeito, a maneira de encarar a vida e os seus pequenos grandes contratempos. Ficar o tempo todo de armadura, se protegendo de sofrer e achando que tudo tem de ser perfeito só faz mal. E muito. O controle não tá nas nossas mãos. Até mesmo as nossas vontades são limitadas. Não podemos querer tudo a todo instante. Nós também temos defeitos - váááários -, e quase nunca os admitimos, apesar de quase sempre apontar com facilidade e destreza os dos outros. Eu sei que essa conversa tá com cara de livro de auto-ajuda de 5ª categoria, e que também não tô dizendo nenhuma novidade aqui. Mas é justamente por isso que escrevo esse post, porque muitas vezes - e eu sou o 1º a me incluir nesse time -, muitas vezes a gente SABE sim disso tudo, é tão claro, não? Sim, claríssimo. Só que a diferença entre SABER e SENTIR é gigantesca, e é somente quando SENTIMOS na pele essas coisinhas que todo mundo sabe (claro...), é que realmente damos a devida importância a elas. E olha que é brabo fazer isso... Opa, mais um fio de cabelo branco. Mas não importa, há jeito pra tudo. Já já vou ali na farmácia e resolvo mais esse "problema"...
*******
... a sensibilíssima Aninha, lá do seu "Pensamentos da poetisa", afirma que o inacreditável mundo de alex e! é um "blog parada obrigatória". E eu te agradeço muitíssimo, querida, não só pelo selinho super bacana, mas também por teus posts sempre tão lindos e sinceros no teu blog que, merecidamente, é sim uma parada obrigatória. Bom, como eu penso que todos os blogs linkados aqui no mundo também são paradas obrigatórias (senão eu não diria que valem a pena né...), seria uma injustiça tremenda indicar alguns poucos pra receber esse selinho. Por isso digo com a maior alegria e carinho que todos podem se sentir agraciados com mais esse presentinho aqui do alex, viu. Um beijo a todos...
- música do post: "bye bye tristeza", Sandra de Sá
*******
... a sensibilíssima Aninha, lá do seu "Pensamentos da poetisa", afirma que o inacreditável mundo de alex e! é um "blog parada obrigatória". E eu te agradeço muitíssimo, querida, não só pelo selinho super bacana, mas também por teus posts sempre tão lindos e sinceros no teu blog que, merecidamente, é sim uma parada obrigatória. Bom, como eu penso que todos os blogs linkados aqui no mundo também são paradas obrigatórias (senão eu não diria que valem a pena né...), seria uma injustiça tremenda indicar alguns poucos pra receber esse selinho. Por isso digo com a maior alegria e carinho que todos podem se sentir agraciados com mais esse presentinho aqui do alex, viu. Um beijo a todos...- música do post: "bye bye tristeza", Sandra de Sá
9.2.08
caminhada
...refazia os passos por cima de suas próprias pegadas, como se a não desistir do caminho tomado. No entanto, essa rubrica de si mesmo apenas o deixava ainda mais fatigado, ainda mais aborrecido. Estava escuro e nada enxergava além de cinco palmos diante de si. Também havia o muro – branco, alto e sereno – ao seu lado; o que mais podia fazer senão tocá-lo de vez em quando, buscando equilíbrio – compreensão? O muro era plácido, mas não podia compreender. Até que o viu, longe ainda, depois mais de perto. Vinha em sua direção, tão sereno que parecia saber aonde ia. Mais de perto um pouco, os olhos dele penetraram os seus, de um verde irresistível, como irresistível é sucumbir à esperança. Pararam um ao lado do outro. As vestes brancas, soltas, descoladas dos corpos jovens. Dois homens em meio a um obscuro destino ao lado de um muro solitário. Sós, a sós, os dois olharam-se com ternura de quem cumprimenta alguém que há muito não via, apesar de antes nunca se terem visto. Não se conheciam, mesmo que houvessem reconhecido um ao outro através daquele olhar. Cumprimentaram-se, um gesto vago e absorto com as cabeças de peles frescas e cabelos soltos ao vento – e foram. Cada um num sentido daquela mesma direção, o primeiro confirmando, o segundo negando os passos no chão de terra, até que não mais se soubesse a distinção de para onde ir. Iam. Pouco tempo depois, o mesmo processo se repetiu. Os homens se viram, se cumprimentaram e seguiram seus caminhos. Até novamente se encontrarem e refazerem o processo de antes, que era o mesmo. Até o infinito. O homem viu o outro homem, primeiro distante, depois mais perto, tão mais de perto que pôde notar o verde incompreensível dos seus olhos, e de seus olhos notar o mesmo verde, irresistível também. As vestes eram brancas, o muro era branco, não havia sinal algum, apenas a escuridão à frente, e os passos, as pegadas, negadas e confirmadas, com precisão, com resolução, até aprenderem que o caminho é mesmo infinito, e que o infinito é circular, e que o círculo é obscuro, e que o obscuro não se pode ver do outro lado, e que do outro lado nada existe, e que nada existe inclusive o amor, e que inclusive o amor é impossível, e que é impossível um beijo sequer. Se quer. Mas não...
..."eu estava em paz quando você chegou"...
- música do post: "relicário", Nando Reis e Cássia Eller
..."eu estava em paz quando você chegou"...
- música do post: "relicário", Nando Reis e Cássia Eller
7.2.08
ato falho
...aparecem de vez em quando em nossas vidas aqueles momentos dignos de dizermos: oops! Massss, invariavelmente, é sempre muito tarde pra voltar atrás. Não que eu me arrependa (aliás não tenho me arrependido de nada nos últimos dias), só que as conseqüências logo logo aparecem pra tentar nos encher de culpa e remorso. Dou de ombro pra tudo isso. Aprendi que mesmo o impensado tem lá as suas compensações. Afinal de contas, atire a 1ª pedra quem nunca se deixou levar pelas circunstâncias... Bem, como ainda não recebi nenhuma pedrada, acho que o argumento foi bem convincente, não? Enfim, já levei sim muita pancada - e pedrada também, acreditem... - pra saber que o caminho de tijolos amarelos tem lá as suas armadilhas, e que muitas vezes é preciso ser esperto pra saber a hora exata de pegar um atalho (e isso é o que a vovozinha chama de ser "safo"...). Como até há bem pouco tempo eu era simplesmente um otário - ou loser, em denominações mais globalizadas -, qualquer coisa que me saísse fora das expectativas iniciais ou que - pior, ahhhh!!! - não estivesse dentro dos meus planos era um verdadeiro desastre, motivo de catastróficas torrentes depressivas e auto-destrutivas. E agora? ah, nada disso: comiseração pra mim é só mais uma palavrinha feia de dicionário que me lembra alguma doença de pele. Além de conviver bem comigo mesmo, lido muito melhor com os ditos "imprevistos", mesmo que estejam relacionados a sentimentos com os quais eu não queria mexer no momento. Bom, como não podemos escolher tudo nessa vida e jamais damos conta de organizar esse caos que nos rodeia (e vem cá, alguém ainda tenta?), um curto-circuito aconteceu dentro de mim e pronto: momento oops! a vista (e "à vista" também, pois, quando vi já tinha passado e ninguém anotou a placa...). É claro que não foi nada como naquela música da Britney (vem cá de novo, alguém ainda se lembra dessa fase, digamos, "normal" de Britney Spears? ah minha adolescência...), mas teve - e tem - um gostinho meio amargo. Não pelo que aconteceu, faço questão de frisar, porém recaídas amorosas causam sempre algum terremoto interno. Sei que tô mais controlado dessa vez, sei que não deveria ter acontecido e blábláblá... Eu sei isso tudo. Mas já que o leite não volta mais pra garrafa mesmo, o jeito é absorver esse ato falho e tentar tirar alguma coisa positiva disso. Foi bom? foi, não vou mentir... foi ótimo, até. Não sou mais criança, sei muito bem o que faço. Acontece que não é de uma hora pra outra que anos de história vão se apagar e tudo (re)começará do zero (e, falando sério, nem sei se quero que isso de fato aconteça...). O que é que eu quero então? Sei lá... só sei que não quero resolver nada agora. O peso da responsabilidade me pressiona contra a parede e eu grito assustado. Por isso prefiro deixá-la presa um pouquinho. Às vezes é bom curtir uns momentos de fossa intelectual. Não que isso me faça triste, deprimido ou qualquer coisa do tipo, não me interpretem mal. Apenas quero ficar um tiquinho comigo mesmo, usufruindo dos meus atos, mas sem ter de, por enquanto, decidir a vida de alguém. A vida a 2 é assim mesmo, não se enganem: toda decisão de 1 afeta o outro. Aliás, dizem até que quando 2 pessoas estão juntas forma-se um 3º - que seria a representação da união de um e outro. Eu acho esse papo muito filosófico e cabalístico pra mim. Acredito mais na teoria do ping-pong: quanto mais forte a porrada que cê der desse lado, mais forte virá a porrada do outro. Isso se a bolinha - oops! - não bater e ficar na rede. Os dois perdem? Não necessariamente, a menos que se queira decretar WO duplo. O vencedor será aquele que melhor administrar esses atos falhos e souber equilibrar a situação sem que ninguém saia prejudicado. Temos de aprender a lidar com as exceções à medida que aparecem, porém nunca as condenando pelas "desgraças" das nossas vidas, e muito menos tentando sistematizá-las em novas e infinitas loucas regras. Basta aceitar as coisas como elas são, sem fantasias, máscaras ou fingimentos do tipo "ai meu deus, mas eu sou sempre a vítimaaa!!!" (isso só cola em novela mexicana - e com muito choro e sombra preta toda borrada...). Pára com isso, ô. Há sempre um desvio na estrada, pois - salve Drummond! -, tem sempre uma maldita pedra no meio do caminho. Oops! quase tropecei, tá vendo...
- música do post: "negue", Ney Matogrosso
- música do post: "negue", Ney Matogrosso
5.2.08
estranho início p 1 novo começo
...fevereiro não é apenas o mês do meu aniversário, um evento muitíssimo importante, claro. Há, por exemplo, uma certa festinha que também tem lá o seu destaque e que comumente chamamos de "carnaval". Além disso, a segunda folhinha do calendário concentra o estranhíssimo fenômeno do "estica-e-puxa" que o acomete nos anos bissextos (falando nisso, esse ano é um deles), sem contar que é o único dos meses em que a gente não pode usar aquela velha técnica de contar nos dedinhos pra saber se tem 30 ou 31 dias. Ou seja, fevereiro é o mês do "entre", do "quase": é quase o início do ano, mas fica entre janeiro (o mês das eternas promessas...) e de fato o começo "dos trabalhos" em março (pelo menos aqui no Brasil né); é quase um mês de festa, mas fica entre o Natal e a Páscoa, 2 datas religiosas (?) - ou seja, uma espécie de "compensação" momesca...; é quase um mês de capricórnio (um signo que tem lá suas características interessantes...), mas fica entre aquário e peixes (uma combinação que, por experiência própria, é catastrófica - apesar da aparente combinação de habitats). Enfim, eu poderia ficar aqui listando diversas combinações de coisas que fazem desses 28 (ou melhor, 29...) dias do ano um período um tanto quanto esdrúxulo pra começar o que quer que seja. Certo? não, errado! Por mais neurótico que eu seja, será que vale a pena mesmo me ater a esse tipo de superstição - que, a bem da verdade, nem chega a ser uma "superstição" de fato (afinal de contas eu não sou adepto de trevo de 4 folhas, pé de coelho ou qualquer outra coisa do gênero) - e atrasar a minha vida em uns 25 dias só pra depois não ter a desculpa de dizer "tá vendo, eu sabia mesmo que não ia dar em nada, não esperei o momento certo" quando - e se - algo não saísse como o planejado? Outra coisa que me veio agora à cabeça: por que diabos será que todo dito amuleto da "sorte" é ecológica ou politicamente incorreto (ou ambos???) - ponto a se ponderar... Mas voltando ao assunto: talvez seja melhor abandonar esse trauma de aquariano (ô fevereiro...) de planejar e arquitetar tudo e viver um pouco mais ao sabor da maré. Tudo bem, eu tenho um certo medinho de mar, mas é pra isso que existem os nossos salva-vidas né. Às vezes é preciso mesmo arriscar, e cada vez mais eu percebo a importância e a necessidade disso. Nada de deixar pra amanhã o que você pode fazer hoje, me lembra a vovozinha. A surpresa, o imprevisto, o impulso podem sim nos trazer ótimos resultados. Uma vez vi algo do Jorge Vercilo (que se não me engano era um extra do dvd do seu show - que por sinal é ótimo...) em que fazia uma analogia interessante com o futebol (aliás um esporte que eu não suporto mas que inexplicavelmente é paixão nacional), dizendo mais ou menos o seguinte: quando tô jogando uma partida de futebol e recebo uma bola nos pés tendo tempo suficiente pra pensar no que fazer, invarialvelmente acabo errando o chute; já quando a bola vem e num lampejo eu simplesmente a chuto por instinto, as chances de fazer um gol são bem maiores. Incrivelmente foi a lição que eu tirei disso... muitas vezes não nos basta ser racionais e controlados pra conquistar aquilo (ou aquele, ou aquela, vai saber...) que desejamos, e sim dar ouvidos ao nosso muito renegado 6º sentido - que pra mim não é mais apenas nome de filme chato ou "coisa de mulher". É "coisa" de todos nós, e com o que deveríamos aprender a lidar o mais cedo possível. Já perdi muitas coisas e pessoas na minha vida por um excesso de cuidado, por um transbordamento de esquemas, por uma overdose de esboços. Chega!!! Que tal ser mais espontâneo e encarar os dias de maneira mais natural? Bom, eu mesmo já tirei o calendário da geladeira, pois já aprendi a contar e a saber de cor em que mês, ano, milênio e lua estamos. Todos nós sabemos, faz parte da nossa cultura (infelizmente...). Mas não é por isso que vou deixar de ser feliz. E também não é por isso que vou perder a esperança de começar de novo sim, sempre, mesmo achando estranho esse início acontecer em pleno carnaval. Ai, tempo tempo tempo tempo, se não for o da música de Caetano, vê se me deixa um pouco. Em paz...
- música do post: "aquele abraço", Gilberto Gil
- música do post: "aquele abraço", Gilberto Gil
3.2.08
d ond menos se espera
...tá legal, eu sei que hoje é domingo de carnaval. Massss, como eu não curto muito (na verdade, nem um pouco) esse tipo de folia, eu tô aqui sim - e postando -, talvez pras paredes. Enfim, tenho motivos de sobra pra isso. Por quê? porque finalmente apareceu algo (leia-se "alguém"...) que me fizesse ver realmente que ainda vale a pena investir em romances, encontros, suspiros e coisas do gênero. Juro que não tava procurando nada nem ninguém (pelo menos não agora). Tava tranqüilo e poderia dizer até satisfeito em minha recém adquirida solteirice... porém... ah, porém, sem avisos ou qualquer outra coisa, surgiu uma pessoa na minha vida. E de onde eu menos esperaria que algo desse tipo acontecesse. O início nem foi tão promissor assim. Os primeiros contatos foram meio estranhos, secos, lacônicos - coisa de que não gosto, pois, como acho que já deu pra perceber, sou um alguém que fala (e escreve) um pouquinhozinho além da conta né. Nos falamos ao telefone (fui eu quem ligou, e confesso que meio sem vontade...) e... me surpreendi tão positivamente que fiquei meio abobado e sem assunto. EU, sem assunto! É, não era algo muito normal até então - e percebi que havia um quê especial naquela pessoa, tão diferente se mostrou. Fomos sinceros e honestos um com o outro logo de cara. Nada de joguinhos; colocamos as cartas na mesa sem medo - e acredito que ninguém blefou (eu pelo menos não). Sei lá, ando vacinado ultimamente, não caio mais em armadilha mal-feita. Tenho sentido cheiro de encrenca há quilômetros de distância... Não senti esse cheiro, e sim um perfume gostoso de jasmim, bom presságio, friozinho na barriga. Masss, mesmo assim, não quis alimentar falsas expectativas. Afinal de contas, combinamos, vinha o carnaval por aí, época de se divertir sem se preocupar muito com o amanhã. E talvez seja justamente esse o meu problema com essa tal festa: odeio perder o controle das coisas, não saber as conseqüências do que fiz (ou pelo menos tentar adivinhá-las). Bom, deixei claro que não ia pular em blocos nem nada disso, apesar do convite me ter sido feito. Ficou a promessa de nos falarmos depois de tudo, quando a fênix, símbolo máximo dessa alegria desmedida que toma conta das pessoas em fevereiro, recolhesse as suas asas e retornasse ao pó da quarta-feira de cinzas para apenas retornar no ano seguinte. Vai acontecer? o telefone vai tocar? Até lá não sei, e vou ter de esperar. Não estaria tão ansioso não fosse a surpresa que viria com a noite daquele mesmo dia. Dessa vez o telefone tocou, e eu fui inocentemente atender. Reconheci a voz desde o "alô"... Não entendendo, perguntei o porquê daquilo. A resposta? Foi assim, com aspas e tudo (porque não quero relatar com minha própria voz uma coisa tão boa, seria fazer com que perdesse grande parte do efeito): "ah, é que eu tava no ônibus e passei em frente à tua rua. Lembrei de você e resolvi te ligar, só pra confirmar que vou te ligar depois". Esse tipo de coisa me conquista. Como eu digo, não tô mais em busca de grandes felicidades, e sim me satisfazer com esses pequenos momentos mais preciosos do que pérolas, que guardo no coração como as guarda uma concha. Por isso a minha certa ansiedade de agora, por isso a indecisão que me bate no peito. Mas também penso que é melhor assim do que aquele vazio de antes. Claro que não tô apaixonado nem nada, longe disso, é só que a luzinha verde da esperança se acendeu. Meio tímida e tals, mas tá acesa. E eu tô feliz, sim senhor! Espero que o reinado de momo não condene essa minha ótima surpresa à guilhotina. Mais um conselho da vovozinha: comece a olhar mais pro céu, pois nunca se sabe quando algo - ou melhor, alguém... - está prestes a cair nos seus braços. De onde menos se espera, um cavalo branco aparece (e que só não seja de Tróia, pelo amor de deus...)...
- música do post: "canta, canta, minha gente", Simone
- música do post: "canta, canta, minha gente", Simone
1.2.08
kem eh esse aih, hein???
...mudanças fazem parte da nossa vida mesmo que não as queiramos (esse verbo existe?). Enfim, eu sempre tive um medinho delas, tipo aquele nervoso que dá quando a gente escuta o barulhinho do motor do dentista (que eu tenho certeza ter sido inventado só pra me irritar...) ou quando mordemos aquela fruta bem azedinha. Massssss, como eu venho dizendo nos últimos posts, mudança é algo tão inevitável quanto necessário. Faz bem pro corpo, pra alma e, por incrível que pareça, pros que estão ao nosso redor. Por quê? ah, simples: funciona mais ou menos como aquele "jogo do contente" da Pollyanna (vem cá, alguém leu ou ainda lê "Pollyanna"??? eu desenterro cada coisa...), em que basta se estar feliz pra contagiar os outros também, fazendo-os ver a graça que há nas coisas bobas da vida. Por exemplo, vocês já repararam na graça que tem um besouro andando todo desconjuntado; ou um tatuí desengonçado se enterrando na areia da praia; ou fechar os olhos e ficar prestando atenção no escurinho dentro da gente mesmo (sempre surgem umas luzinhas engraçadas...); ou em comer trakinas de chocolate separando o recheio das cascas; ou mesmo em comer chandelle devargazinho, só com a pontinha da colher, que é pra durar mais? Não, pois então tente, e você vai ver que ficar correndo atrás d'A Felicidade, assim grandona e assustadora, não tá com nada. A gente acaba perdendo o fôlego e nada feito - fica triste, deprimido e, como diz a vovozinha, "chorando pelas pitangas amassadas"... Bom, esse papo todo foi pra dizer que eu comecei a mudar sim, de fato, de direito e por dever também! Ontem mesmo já comprei umas roupinhas novas, passeei um pouco, troquei finalmente os piercings (e tô pensando seriamente em comprar outros) e comecei a planejar a arrumação do quarto - como todo aquariano, faço questão de planejar tudo, claro... Falta o cabelo, mas isso vou deixar pra depois da folia... Porém, o que mais me impressionou (mais até, poderia facilmente dizer que me assustou mesmo) foi o que fiz no meu rosto: eu tirei a minha barba! Assim pode parecer algo banal, coisa e tals, mas eu não via o meu queixo há meses e meses.... Imaginem o susto quando dei de cara com um desconhecido ao espelho! Tudo bem, eu admito - na verdade eu não tenho "barba", e sim apenas bigode e cavanhaque meio sacanas, mas mesmo assim já os estava usando há séculos, só aparava... Incrível, eu me desconheço, ainda não me acostumei comigo. Sou outro, outra pessoa... Um amigo me disse que fiquei uns 5 anos mais novo. É, pode ser que isso é que tenha me assustado, pois nem mesmo aquele povo chato que oferece cartão de crédito na rua me deu bola, e sequer a moça da farmácia me chamou de "senhor". Isso me lembrou aquele verso final de um dos poemas antológicos da Cecília Meireles (se bem que eu acho que ela só tem poemas antológicos): "Em que espelho ficou perdida a minha face?". Quer saber, nem eu quero saber onde ficou. Deixa pra lá, deixa quieto que tô adorando ser menininho de novo e descobrir que às vezes basta um prestobarba pra gente mudar de vez. Plástica? Botox? Colágeno? Nada disso: uns pêlos a menos e a vida fica assim de novo levinha, como num final de tarde balançando na rede de um lugar bem tranqüilo. O sol tá de volta...
*******
...gente, eu tô falando sério, assim vou ficar mal acostumado hein... (brincadeira...rs). A sempre gentilíssima Jaya, lá do seu "- Deixa eu brincar de ser feliz?" presenteou o inacreditável mundo de alex e! com mais um selinho lindo de viver. E, como já deu pra notar, esse é chiquérrimo, pois é em francês - não sei vocês, mas eu sempre achei francês chiquérrimo, e também dos idiomas mais sedutores do planeta. Bom, a amizade pode até ser virtual (como tá lá escrito no selo...), massssssss com certeza o carinho que tenho por ti, querida Jaya, é muito do real, viu! De verdade mesmo!!! Obrigado por mais essa homenagem...
(...o 1º blog chiquérrimo que indico a receber esse selinho en français é o "Pensamentos da poetisa", e é só vocês o visitarem pra me dar razão. Aninha, você é muito chique, menina...);
(...o outro blog a que dedico o selinho importado é o "Através do meu espelho", não só pelo bom gosto do template, da foto, etc e tals, mas também pela estréia muito chique. Vale a pena conferir...)
...bom, esse selo aqui tem de ser devidamente justificado... A Teresa, lá do seu "Caneta vazia", ganhou esse presente e disse, no mesmo post, que todos os blogs linkados por lá poderiam se sentir igualmente agraciados. Assim, como o mundo aqui tem o seu espaço no caneta e eu ando viciado nessa estória de selos (por culpa de vocês, mas reconheço que é um vício delicioso que agora terão de alimentar...rs), eu ME senti também como se tivesse sido indicado. Por isso eu ME digo que "esse blog é show de bola", assim como todos os que estão linkados por aqui, claro. E eu ME orgulho muito de tê-los conhecido (essa estória de "ME" me lembrou o "Cócegas", daí essa bobeira sem graça de ficar repetindo isso...rs)...
(...um blog que indico a receber esse selo super bacana é o "Jornal da Lua", pois sempre tem algo muito show de bola pra ler por lá. Também vale muito a pena conferir...);
(...o outro blog indicado é repeteco - vai pro "Através do meu espelho" de novo que, além de chique, é também muito show de bola e inteligente...)
- música do post: "tarde em Itapuã", Toquinho
*******
...gente, eu tô falando sério, assim vou ficar mal acostumado hein... (brincadeira...rs). A sempre gentilíssima Jaya, lá do seu "- Deixa eu brincar de ser feliz?" presenteou o inacreditável mundo de alex e! com mais um selinho lindo de viver. E, como já deu pra notar, esse é chiquérrimo, pois é em francês - não sei vocês, mas eu sempre achei francês chiquérrimo, e também dos idiomas mais sedutores do planeta. Bom, a amizade pode até ser virtual (como tá lá escrito no selo...), massssssss com certeza o carinho que tenho por ti, querida Jaya, é muito do real, viu! De verdade mesmo!!! Obrigado por mais essa homenagem...(...o 1º blog chiquérrimo que indico a receber esse selinho en français é o "Pensamentos da poetisa", e é só vocês o visitarem pra me dar razão. Aninha, você é muito chique, menina...);
(...o outro blog a que dedico o selinho importado é o "Através do meu espelho", não só pelo bom gosto do template, da foto, etc e tals, mas também pela estréia muito chique. Vale a pena conferir...)
...bom, esse selo aqui tem de ser devidamente justificado... A Teresa, lá do seu "Caneta vazia", ganhou esse presente e disse, no mesmo post, que todos os blogs linkados por lá poderiam se sentir igualmente agraciados. Assim, como o mundo aqui tem o seu espaço no caneta e eu ando viciado nessa estória de selos (por culpa de vocês, mas reconheço que é um vício delicioso que agora terão de alimentar...rs), eu ME senti também como se tivesse sido indicado. Por isso eu ME digo que "esse blog é show de bola", assim como todos os que estão linkados por aqui, claro. E eu ME orgulho muito de tê-los conhecido (essa estória de "ME" me lembrou o "Cócegas", daí essa bobeira sem graça de ficar repetindo isso...rs)...(...um blog que indico a receber esse selo super bacana é o "Jornal da Lua", pois sempre tem algo muito show de bola pra ler por lá. Também vale muito a pena conferir...);
(...o outro blog indicado é repeteco - vai pro "Através do meu espelho" de novo que, além de chique, é também muito show de bola e inteligente...)
- música do post: "tarde em Itapuã", Toquinho
Assinar:
Postagens (Atom)